RIO, 12 DE JULHO, SEXTA-FEIRA DE 2019.
Sim, estou aqui e muito cansada de ver, sentir todos cansados de mim, da minha presença, das minhas necessidades diárias, dos meus problemas, feridas que fecham e abrem do nada, necessidades fisiológicas diárias me prendem tanto, me constrange muito, ter a intimidade dividida, compartilhada, comentadas com os amigos dos amigos, me envergonha, as coisas só pioram, mais exposta fico, sem independência, sem privacidade, refém da situação, de quem vem ajudar, veem o que eu não queria que vissem...
A Higiene pessoal é o que mais me constrange, meus cheiros, meu corpo que antes eram só meus, ou a quem eu quisesse mostrar, desde o meu acidente não tive mais escolhas, quem cuida ver tudo meu, graças dou quando era só minha mãe que me cuidava, tão discreta, fechava a porta, me protegia, nunca me constrangeu, mãe é mãe, gratidão eterna por seu amor.
Como pode se viver assim, nem me reconheço, tudo em mim mudou tanto, fisicamente, não é questão de aceitação, não posso nada, apenas digitar consigo sozinha, o resto dependo dos outros.
Estou exausta. A vida tem passado tão depressa, enquanto eu fico parada nessa cama, mas sinto como se tivesse corrido uma maratona. Olho para minha imagem no espelho e não me reconheço. Sinto medo. Medo de nunca conseguir me reconhecer e achar uma saída para qualquer lugar que me traga um pouco de paz. Mas ainda me resta uma fagulha de esperança e é por esse motivo pelo qual continuo assoprando… Quem sabe vire uma fogueira.
ATÉ QUANDO CLAMAREI EU? E TU NÃO ME ESCUTARÁS...
DEUS TEM PIEDADE DE NÓS
SINTO MUITO,
ME PERDOE,
TE AMO,
SOU GRATA.
