RIO, 3 DE AGOSTO SÁBADO DE 2019.
Jó 3:2-7
Que seja maldito o dia em que nasci, o momento em que fui concebido.
Que nunca mais seja lembrado. Que nem sequer Deus o recorde,
que fique mergulhado nas trevas eternas.
Sim, a escuridão se apodere dele, nuvens negras o envolvam.
Seja riscado do calendário;
nunca mais seja contado como os outros dias do ano.
Essa noite seja recordada como uma noite gelada e triste.
ME SINTO UM JÓ.
Nasci num sábado às 20:00 dia 1° de Agosto, no HOSPITAL PÚBLICO GETÚLIO VARGAS.
No dia que meus pais anunciaram que eu fui concebida estavam morando de favor na casa de uns tios que gentilmente abrigavam outras pessoas, que ajudavam nos deveres da casa e sendo ajudados... MAS acho que todos entraram em pânico, mais uma boca? Então decidiram deslocar meus pais, 3 filhos, 3 irmãos menores da minha mãe, fazia dois anos que minha avó morreu aos 50 anos em Volta Redonda vieram morar com meus pais no Rio de janeiro, em Vicente de Carvalho, com o desemprego do meu pai foram despejados. Então vieram morar com os tios em Maria da Graça.
O Tio tinha um barracão de zinco no morro do Jacarezinho, dois andares, muito antigo os tios e família já haviam morado lá, já estava bem detonado com cupins, telhado furado, chovia dentro, na parede da escada formava um cascata em dia de chuva, o quarto era em cima, com uma varanda onde meus irmãos brincavam soltavam pipas e giricos feita de folha de caderno e a rabiola do resto do papel. Mas era um risco de vida pois as tábuas estavam podres. A sala e cozinha embaixo com chão de terra batida. O banheiro era um para todos, comunitário, não tinha água encanada, tinha que buscar água na bica para o consumo diário, ficava no pé do morro.
Minha família foi morar lá mas seria provisório, só até as coisas melhorarem... Durou seis anos... Meu pai adoeceu, minha mãe começou a costurar com uma máquina emprestada pela tia, as costuras aumentaram tudo se ajeitando, se adaptando, a tia precisou da máquina e pediu de volta.
Mamãe escreveu para minha avó paterna em Carangola Minas Gerais contando nossa situação, então nossa avó nos ajudou com uma mala de mantimento e dinheiro para comprar uma máquina de costura. Eu com 3 anos ainda mamava em pé com minha mãe costurando, e dizia sai da maqui leca.
A vida seguia, minha mãe costurava tão bem que recebeu um convite pra trabalhar de costureira na REDE GLOBO, mas não aceitou, com 27 anos 4 filhos 3 irmãos era responsável como deixar sozinhos no morro crianças e adolescentes?
A vida segue..... Muitos acontecimentos trabalho duro, aventuras, solidariedade, vizinhos bons, outros nem tanto, o sonho da minha mãe era nos mudarmos de lá, lutou muito e conseguiu... Achou uma casa em Maria da Graça na rua Conde de Azambuja, pagou tudo e o que faltou pegou emprestado com uma mãe de santo muito amiga e querida, e graças a minha mãe e DEUS nos mudamos do morro.
Por tudo isso acho que não fiz bem a minha família. Com a minha chegada foram morar no morro.
Peço perdão a minha família.
SINTO MUITO,
ME PERDOE,
TE AMO,
AGRADEÇO.
ACHO QUE DEUS ESQUECEU DE MIM.
